A história mais instigante da humanidade

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Contar e recontar a história mais instigante da humanidade não é tarefa para qualquer um, mas também é de todos. Porém, é preciso muita sensibilidade e capacidade de entendê-la sob todos os ângulos em que ela se apresentou até agora e continuará se mostrando por outros novos que somente poderão ser reconhecidos e vistos com a contínua evolução do homem, se assim o homem quiser. E José Saramago, para a nossa sorte, descobriu mais um novo ângulo com a sua obra O Evangelho Segundo Jesus Cristo.

José Paulo Paes escreveu sobre a obra de Saramago:

"Essa tradição ininterrupta porque viva, viva porque ininterrupta,...
... José Saramago nos conta mais uma vez a mesma história que vem sendo contada já tantos séculos. A mesma? Sim, se se tiver em vista tão só os personagens e os sucessos da fábula. Não, se se atentar para a nova carnadura de que aqui se revestem. Interessado menos na onipotência do divino que na frágil mas tenaz resistência do humano, a arte magistral de Saramago excele no dar corpo às preliminares e à culminância do drama da Paixão, presentificando-lhes as cores, cheiros, sons, movimentos, esmiuçando-lhes as ambigüidades e implicações em busca de significados recônditos por sob os ostensivos. Leiam-se a título de exemplo de presentificação, as páginas de bravura que pintam os sacrifícios de sempre no Templo de Jerusalém. E onde melhor exemplo de esmiuçamento crítico que as páginas de socrática agudeza e voltaireana ironia acerca do debate travado por Cristo com Deus e o Diabo na barca perdida em meio ao nevoeíro de quarenta dias?
Mas é bem de ver que nessa agudeza não há soberba de espírito, nem há desencanto do mundo nessa ironia: há lucidez e compreensão do humano, demasiado humano."

Referência
SARAMAGO, José. O evangelho segundo Jesus Cristo. São Paulo:Companhia das Letras, 2002.

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