Meu comentário
Magistralmente Saramago mostra uma Isaura com o dever a cumprir das camisas para entregar em tempo, e curto, por assim entender, e o desejo de terminar o romance que, quem sabe, era onde se refugiava na sensação de realmente viver, ou onde queria viver, mesmo no fantasioso onde, muitas vezes, não se tem outra alternativa.
Transcrição do livro
"... mas nessa manhã não sentia ânimo para conversar. Tinha um monte de camisas para acabar até o fim da semana. Sábado tinha que entrega-las, desse lá por onde desse. Por sua vontade, acabaria de ler o romance. Só lhe faltavam umas cinquentas páginas e estava na passagem mais interessante. Aqueles amores clandestinos, sustentados através de mil peripécias e contrariedades, prendiam-na. Além, disso, o romance estava bem escrito. Isaura tinha experiência bastante de leitora para assim julgar. Hesitou. Mas bem via que nem sequer tinha o direito de hesitar. As camisas esperavam-na. Ouvia lá dentro um ruído de vozes: a mãe e a tia falavam. Muito falavam aquelas mulheres. Que tinham elas a dizer todo o santo dia, que não estivesse já dito mil vezes?"
Referência SARAMAGO, José. Claraboia. Edição em EPUB:Caminho, 2011.
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